sábado, 22 de dezembro de 2012
As Aventuras de Pi
Um filme profundo, para se assistir de alma aberta. Para acreditar e duvidar. Para abalar e sedimentar a fé... ou as fés.
Não digo que vale a pena ver. Digo que Tem que ser visto.
domingo, 22 de novembro de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009

O 'Rei do Pop' se foi.
Bastou que morresse para que sua música retornasse ao topo das paradas em todo o mundo. Virou notícia número um. Michael Jackson, morto, fez ressurgir sua glória! Pessoas querem ouví-lo, vê-lo, conhecê-lo, reconhecê-lo...
Seu legado artístico não se resume à música. Ele deixou também sua dança, seu estilo de vestir, a originalidade dos clipes, o modo de fazer shows, sua perspicácia incrível em fazer ser aceito a música black nas rodas de brancos. Ele deixou-nos a música pop.
Sua história de vida não possui a mesma glória. Pelo contrário. O homem por trás dessa rica herança cultural foi definhando-se a cada dia que passava.
Hoje, com sua morte, o mundo desvinculou o Artista da Arte. Agora podemos contemplar a arte ''Michael Jackson'' sem a aura amaldiçoada que seu personagem carregava. É como se o mundo perdoasse a sua história e reconhecesse o valor de sua obra.
Michael Jackson planejava retornar aos palcos nesse segundo semestre de 2009. Completaria 50 anos de vida e faria 50 shows em Londres. Fica a pergunta: Se não tivesse morrido na quinta-feira 25 de Junho, seu retorno aos palcos traria mais alguma inovação ao universo musical? Essa pergunta só pode ser calada pela intuição. E eu penso que a resposta é não.
Sua morte veio para salvá-lo a si mesmo. O que Michael tinha a fazer para contribuir com o mundo já havia feito. Embora fiz questão de aprender o moonwalk - o ofício pede, não sou dos fãs fanáticos. Assisto com entusiasmo e reconhecimento os seus clipes, shows, e leio com profunda admiração suas letras.
Michael Jackson, morto, faz-se reconhecido pelo que trouxe de bom ao nosso mundo, e viverá eternamente: sua Arte!
Que seu corpo, em paz, descanse.
Que sua música, em paz, o mundo dance!
Domingo!
mundo agita aqui dentro!
.
domingo nostalgia
domingo senta a gente no divã.
domingo é como o espelho
quando acordamos de manhã.
.
todo mundo tem domingos na sua semana
seja quarta, terça, sexta...
.
pra mim, domingo
é sempre domingo.
sábado, 11 de outubro de 2008
Um pouco da apaixonante Sampa!
Ah, São Paulo! A boa Terra da Garoa! Seria a capital cultural do país? Certo é que lá as ‘coisas acontecem’. Arrisco-me até a dizer que mais do que em qualquer outro ponto no Brasil, mas como mensurar pode ser impossível, o que vale dizer é que a terra da garoa consegue me fascinar de um jeito diferente, especial. Há quase um ano decidi ir pela primeira vez, sozinho, a essa monstruosa city. Eu passearia sozinho por algumas horas e depois encontraria um amigo na Livraria Cultura. Eram tantos os lugares que desejava visitar, tanta informação que minha sede de boa Arte precisava beber! Lembro que um sorriso infantil me embelezava a face ao descer no Terminal Tietê, sozinho. Agora era eu, comigo mesmo, naquele mar de perigo e fascinação! Um mundo de gente estranha, que mal se viam ou se olhavam sempre desconfiadas! A sensação de prisão e liberdade dentro de mim corria às juvenis veias do menino aventureiro, que se via confuso e certo. Um garoto mineiro de 18 anos que tem fome de teatro desde a infância... Que brincava de compositor ao piano e ainda tem escritos os rabiscos das primeiras sonatinas (ambicioso, até chegou a iniciar uma sinfonia, acredita?)... Que representou o Pluft, o fantasminha, na quarta série do fundamental e encabeçou o projeto do jornal da juventude no terceiro ano do ensino médio... Que tocou tanto a Pour Elise de Beethoven que o avô pediu pra parar por uns tempos e começar a estudar outra peça... Que, naquela manhã, acabara de fazer o teste para o Curso de Artes Cênicas no Conservatório de Pouso Alegre e em seguida pegara o ônibus, sozinho, pra cair nas garras da grande sampa...
Bah! Balancei a cabeça e guardei os pensamentos na caixinha das boas lembranças – afinal o passado não nos leva a lugar algum, a não ser arrancar uns sorrisos ou lágrimas; mas, como o que importa é o presente... - abri os olhos e me vi na realidade do metrô cortando veloz as veias da cidade. A próxima parada era a Estação da Luz . O ponteiro do relógio marcava uma da tarde. Segui o conselho de um amigo-escritor e fui visitar o Museu da Língua Portuguesa.
Um show de Tecnologia e Arte! Uma caminhada que proporciona um novo aprendizado!
Lembro com doce fascinação da bela voz que narrava o documentário sobre a grandiosidade da Última Flor do Lácio: ninguém menos que a diva Fernanda Montenegro!
O ruim foi eu ter esquecido a camêra-fotográfica na mochila no guarda-volumes, sendo que podia-se tirar fotos à vontade! Mas fico devendo a mim uma nova visita àquele palacete!
Passei mais algumas horas passeando só pela Av. Paulista e chegara a hora de encontrar meu amigo Marco. Existe coisa melhor que combinar um encontro com um estimado amigo num lugar perfeito como a Livraria Cultura, no Conjunto Nacional? Que bom que a vida tem desses encontros!
O dia seguinte preparava uma nova surpresa! Saí com Marco pra irmos ao parque zoológico da cidade, mas as esquinas paulistanas têm sempre muitas surpresas. Num dos pontos de referência turística, o guia da semana dizia sobre o matinê dominical do Teatro Municipal, a começar dali a meia hora. Corremos pro metrô!
A visão da fila monstruosa pra ouvir Mahler deixou-me embasbacado! 'Como podia ser verdade uma dessas lá no interior mineiro!'
Minha primeira vez no Teatro Municipal de São Paulo! Jamais esquecerei dos trompetes triunfais iniciando a 5a de Mahler! E se me faltam palavras, que as imagens digam um pouco...
E São Paulo continua a me fascinar! Muito mais já vivi e ainda viverei nessa metrópole monstruosa e encantadora que é a "Terra da Garoa"!
Fotos: Avenida Paulista / Museu da Língua Portuguesa - Estação da Luz / Theatro Municipal de São Paulo / Praça Ramos de Azevedo.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Primeiro dia em Buenos Aires - um novo amigo ao pôr do sol.

O V&S Hostel era aconchegante, um lugar organizado e visivelmente bem administrado. Após o check-in fui para o quarto. O meu era o número 10, duas beliches de três lugares, um armário para os utensílios e objetos de valores, malas do restante do pessoal que já estava por lá espalhadas pelo chão. Uma baderna organizada, já que, supõem-se, todos sabem onde colocara suas coisas. Ás quatro da tarde, ninguém lá estava, certamente todos passeando pela ‘ciudad’, e era o que eu pretendia já fazer logo após um belo banho! O mal estar que eu vinha sentido desde o fim da viagem era amenizado diante o vislumbre da novidade, mas ainda ressurgia. Tomei um big banho. Quando saí do banheiro, que fica num corredor pra atender os demais quartos coletivos do andar ( hostel funciona assim, banheiros coletivos, mas tudo muito higiênico!), um homem, baixo, calvo, uma barba com estilo, traje de turista americano, batia na porta do quarto 10 e chamava: - Sinead! Sinead!
- Hello! – cumprimentei.
- Hello!- ele respondeu, num vozeirão grave!
- I’m Charles, nice to meet you! Who are you?
- My name’s Mauro! Nice!
- Oh! Where are you from?
- I’m from Brazil. And you?
- Oh! Brazil? Brasil!! Então vamos conversar na nossa língua materna! Também sou brasileiro! Mineiro, mais específico, e vc?
- Sou de Londrina. Estou procurando uma amiga, a Sinead. Ela está no mesmo quarto que você, pode ver se ela está aí, por favor?
Ninguém estava por lá.
- Obrigado! É que eu comprei os sapatos pra dançar tango e queria mostrá-los a ela. Mas depois a vejo, certamente.
- Legal!
- Eu vou sair agora, irei ao La Boca tirar umas fotos. Tem compromisso?
- Ah! Cheguei agora! Vim sozinho! Estou na pista! Se for um convite, eu aceito!
- Então vamos! Aguardo você se trocar. Estarei na recepção!
Fiquei encantado! Minha chegada nas terras portenhas começou bem. Pra quem sairia pela ciudad sozinho dali a alguns minutos já tinha arranjado companhia. E não parecia ser qualquer um. Aquele cara ostentava uma aparência intelectual que me chamava atenção. Sério e ao mesmo tempo risonho, me encantou principalmente pelo que disse: Irei tirar umas fotos! Caraca! Era alguém que sabia do que estava falando, e se tratando de fotografia, uma de minhas grandes paixões... eu não podia acreditar... Desci pra recepção e lá estava o tal Mauro, de óculos na ponta do nariz, examinando um panfleto turístico. Aquele ar de intelectualidade me fascinava!

Saímos rumo a La Boca, o bairro popular de Buenos Aires famoso pelas casas coloridas, pintadas pelos operários que ali moravam com restos de tintas que sobravam dos serviços portuários. Antigamente funcionava um porto ali. Pelas ruas movimentadas daquela tarde em Buenos Aires, eu e Mauro caminhávamos conversando animados. Ali nascia uma amizade muito promissora!
Os momentos mais belos do dia pra mim é o amanhecer e o entardecer, quando o sol está inclinado entre os trinta e quarenta e cinco graus. E naquela minha primeira tarde em Buenos Aires, meu sorriso exalava felicidade diante daquela belíssima luz que, com o sol se pondo, iluminava todo o colorido de La Boca. Experimentei uma sensação inesquecível de paz espiritual naquele momento. O mundo estava perfeito! Como sinto saudades!

Eu e Mauro continuávamos passeando e conversando e tirando fotos. Ao fundo um som de tango vinha ornamentar o entardecer. Viramos uma esquina e um casal de jovens dançava em frente a um restaurante para atrair e entreter os clientes. Sentamos numa das mesas ao ar livre e, com uma soda portenha e assistindo ao espetáculo dos dançarinos, saboreamos o pôr do sol acompanhado da doce melancolia apaixonada do tango.


A noite chegou e Mauro convidou para jantar num bar que já havia ido antes com os amigos, pessoas que também conhecera lá. Chegara só em Buenos Aires também e já conquistara bastantes novos amigos. Viagens assim são estupendas!
‘Dadá’ era o nome do pub, lugarzinho pequeno e muito aconchegante. Até o fim de 2007 eu estava rigidamente disciplinado em uma dieta vegetariana, mas após o reveillon no Rio, acompanhado de uns amigos, perdera o pique do vegetarianismo e, já que estava em Buenos Aires, por que não experimentar os famosos bifes argentinos? Foi o prato que escolhi. Acreditava eu que seria bom comer algo com mais sustância, pois passara mal na chegada da viagem. Antes de o prato chegar, servimo-nos dum bom vinho tinto. E eu de estômago fraco e vazio...
O bife chegou cortado em tirinhas num belo prato com folhas verdes. Embora o cheiro fosse agradável, não abriu meu apetite. Acabei por sentir meu estômago revirar. Pedi licença ao Mauro e rumo ao toalete. O masculino estava ocupado. Meu interior embrulhava... eu sentia que algo ia acontecer, era inevitável agüentar mais tempo. Olhei pro lado, o banheiro feminino vazio, de portas abertas. Ah! Foi lá mesmo! Entrei!
terça-feira, 15 de julho de 2008
Buenos Aires - uma ida com muita história!
A aventura de viajar por terra durante quarenta e quatro horas, cruzando todo o sul brasileiro e norte da Argentina até Buenos Aires não havia sido má idéia. Embora muito cansativa, a viagem foi descontraída. Conheci pessoas de diferentes lugares, com curiosas histórias para contar. Da senhora que se sentou na poltrona detrás da minha, posso escrever a biografia: a mulher parecia ser a bateria, não parava de falar um minuto! Com cinqüenta e poucos anos, advogada, divorciada, morava com a mãe (Oh God!) e seguia até Buenos Aires para um curso de pós-graduação. Escolheu ir de ônibus para rever o sul do Brasil e o norte argentino - que já havia conhecido numa viagem de décadas atrás. Agora reparava todos os detalhes, relembrando que ali tinha uma mata nativa belíssima na época remota, com animais silvestres cruzando a estrada. ‘‘Hoje apenas eucaliptos, apenas eucaliptos, eucaliptos e eucaliptos, que praga!!’’ xingava a senhora, que não me lembro o nome. Pra voltar já havia comprado passagens aéreas, era natural de Belo Horizonte e para comer uma maçã ela escolhia a dedos a fruta mais fresca do mercado, deixava de molho em água com sabão uma noite inteira para então, só depois, ‘degustar’! Ela enchia tanto com as histórias que o pessoal do ônibus comentava pelos cantos, nas paradas para lanches, ‘quem vai desligar essa velha?’ Foi chato, porém divertido!
Dentre outros amigos que fiz na ida, o Marcelo era um paulistano que nos encontraríamos coincidentemente no ônibus de volta, mas o fim da viagem fica pra mais tarde, ainda estamos indo e devo relatar que jamais esquecerei a louca que carregamos para as terras portenhas. A mulher não tinha mais que quarenta anos, já embarcou no Tietê armando o barraco. De calça moletom rosa listrada de branco, blusa rosa listrada de branco, boina rosa listrada de branco e cobertor vermelho (ainda bem! Porque se fosse rosa listrado de branco...), xingava Deus e o mundo porque o Brasil era uma porcaria! Estava de fuga pra Argentina e não explicou o porquê, era fluente em cinco línguas e havia trabalhado pra CIA e KGB. Para não bastar, era HIV positivo e ao passar por Curitiba gritava: ‘Sai desse inferno motô! Essa cidade é do capeta, aqui me infectaram! Sai daqui motô!’ Deduzam o que quiserem...
O caminho percorrido passou pelas três capitais do sul brasileiro e a partir de Florianópolis caminhou rente à orla brasileira, onde se visualizava o Atlântico e depois a Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. Das observações mais marcantes que tive conhecendo as terras do sul, além do clima sempre frio, a vegetação também me fascinou. Formações rochosas em Santa Catarina criavam belíssimas paisagens, com pedras e montanhas enormes, no estilo do Pão de Açúcar, do Rio. Essas montanhas ou grandes rochas vão pouco a pouco se acabando, vendo uma aqui outra acolá, até chegarmos aos belíssimos pampas gaúchos. A vista se perdia no horizonte, quando o verde misturava-se com o azul do céu! Anoiteceu e ainda estávamos a algumas horas da fronteira, aonde chegamos à uma da manhã do dia 15 de Janeiro. Além de cachorros, de um singelo monumento à fronteira, da grande ponte que atravessa de Uruguaiana (última cidade brasileira) para El Paso de los Libres (primeira cidade argentina - porém as duas dividem o espaço urbano), nada mais chama atenção na pacata fronteira. Embora era noite e pouco pude observar. Lá pode-se fazer o câmbio de moedas e inclusive vale a pena! E estando correto com a documentação nada demais acontece. Passa-se fácil e passa-se bem.Amanheci em terras argentinas e até a lanchonete onde comi o lanche enrolado no plástico fui admirando a paisagem, muito diferente para um mineiro acostumado a tantas montanhas. Nem ao longe se via um monte. Pastos que se perdiam de vista, alguns brejos, pequenas e grandes fazendas, eucaliptos (e a senhora xingava!), uma e outra borracharia, postos policiais e cruzamentos de rodovias, onde a vista desanimava em ver tão longínquas estradas. Parecia nunca chegar. Completava-se quarenta horas de viagem dentro daquele ônibus e o cansaço ardia a paciência. O corpo já tomava a forma da poltrona e não agüentava estar sem banho por tanto tempo. Sim! Sem banho! Nas breves paradas para comer não dava tempo suficiente ou, se sim, o ambiente não era apropriado. Após o lanche do saquinho, na última parada, minha pressa em chegar era acrescida dum agravante: um simples desarranjo intestinal (!) Idas tristes ao banheiro do ônibus! Cara de nojo! Ânsia de vômito! Buenos Aires à vista! Oh!! Haendel remexeu-se nos túmulos, mas atrevi-me a cantar seu ‘Aleluia’! A metrópole já era realidade e começava a ser terra pisada. Tentei entreter-me observando as indústrias, as casas, as pessoas, mas a barriga sempre dava um alerta. Eram três horas da tarde daquela sexta-feira. Terminal Rodoviário Retiro – Buenos Aires. Um pouco melhor devido à fascinação do momento, despedi-me rápido do pessoal - afinal fazem-se bons colegas estando quarenta e quatro horas juntos num ônibus – e com uma mochila oficial do Exército Brasileiro, emprestada pelo primo, a mala de rodinhas, uma bolsa no ombro mais o arranjo intestinal, corri logo pro primeiro táxi. Lá iria eu começar a arranhar o espanhol... Ou portunhol? Yo no se, pero me gusta mucho arriesgar...
Imagens: Praia em SC / Fronteira Federal entre Uruguaiana - Brasil e El Paso de Los Libres - Argentina / Paisagem dos pampas argentinos.

